Hoje não me apetece mostrar nenhuma foto de flores. Até aparecer a flor, a planta percorre um tão longo caminho, desde que foi uma pequena semente até esse momento tão apreciado por todos, que hoje vou falar um pouco disso.
Vou antes falar de umas sementes... eram sementes de uma das minhas plantas favoritas, a Rodophiala bífida. Estava no inicio da minhas aventuras com sementeiras e, por inexperiência, não consegui que resistissem. Não imaginam o quão desejadas eram essas sementes! Vinham de um outro continente, de muito longe, onde crescem silvestres nos campos, nos caminhos, nos montes, e algumas espécies até crescem em pleno deserto.
Devido ao tempo que passaram na viagem, grande parte delas já chegaram germinadas, o que, se fosse hoje, era meio caminho andado para se tornarem pequenos bolbos em pouco tempo. Mas nessa altura, como já disse, não sabia bem como cuidá-las, e perdi-as. Já lá vão uns anitos, mas acreditem, ainda sinto um frio no estômago quando vejo aquela fotografia. Ter um "tesouro" nas mãos e perdê-lo, é difícil de aceitar!!!
Depois disso, houve muitas sementeiras mais, posso dizer que lhes tomei o gosto e nunca mais parei. De Rodophialas fiz algumas, já tenho pequenos bolbos com 3, 4 anos, e de otras somente algun meses. Nunca vi nenhuma flor, ou por erros de cultivo, ou por ser muito cedo e os bolbos não estarem maduros ainda. Mas o facto de conseguir que germinassem e se tornassem pequenas plantas deixa-me uma sensação de dever cumprido.
Gosto muito de ver as flores, de ver as suas formas e cores e sentir os seus odores, mas hoje confesso uma coisa que muitos que visitam este blog há algum tempo já se aperceberam: o que gosto mesmo, mas muito mesmo é de acompanhar todo o processo de desenvolvimento da planta, com todas as coisas boas e menos boas que vão sucedendo pelo caminho, pois também fazem parte dele: Ver nascer uma planta; ver que vai dar sementes; saber que debaixo da terra está um bolbo adormecido, mas que continua com as raizes activas; chegar um dia e encontrar a ponta de uma futura folha a sair da terra; ou ir mudar um vaso e não encontrar nada, ou melhor, encontar o que resta de um bolbo que não resistiu; ver as folhas amarelar, esperar um ano inteiro por uma flor e na altura, não aparecer nada, e ter que voltar a esperar outro ano; olhar com surpresa para a túnica de um bolbo e descobrir os seus desenhos; encontrar bolbos alongados em vez de redondos, devido a terem passado o tempo a esforçar-se para ir mais para a fundo do vaso; ir ver uma sementeira quase de hora a hora à procura de algo novo; ver um botão floral e tentar adivinhar quantas flores tem; encontrar a cápsula de sementes já madura e colhê-las; ver aparecerem as primeiras plantulas; apreciar as texturas e tons das folhas; replantar um vaso de pequenas plantas de sementeira; ver como bolbos tão pequenos já são tão fortes; observar as raizes contrácteis de algumas, que as puxam mais para baixo no vaso; cuidar de plantas recém-nascidas; ficar com o coração nas mãos se algo não está a correr bem; ver nascer folhas novas; Ver nascer uma planta!!. Enfim, há tanto para ver e sentir!!