É um pássaro de que gosto muito, por estes lados difícil de encontrar.
Um dia numa visita ao campo, vi imensos e fiquei maravilhada com tal visão.
Por aqui há muitos pardais telhados e verdilhões, rolas e andorinhas, uma arvela ou outra, alguns melros, mas pintassilgos, nunca os tinha visto.
Até que há umas semanas, estava eu debaixo do telheiro do churrasco e comecei a ouvir uma chilreada diferente, e de imediato procurei donde vinha. Estavam mesmo em frente, em cima dum tronco do damasqueiro, completamente à vista, numa alegria contagiosa. Consegui ver-lhes as cores tão bem desenhadas, e admirar-lhes os movimentos, pois não paravam quietos, saltitando de um tronco para o outro, mas sempre sem sair dali. Naquele momento, esqueci tudo o resto e entrei no mundo deles, senti que fazia parte daquele momento.
Desde esse dia, todos os dias tenho pintassilgos no quintal, ora na árvore, escondidos entre a folhagem, ora nos fios da electricidade, ora a voar a toda a pressa se sentem algum movimento. Já lhes conheço o canto de cor, não ficando nada atrás do mais premiado canário. É um canto livre, e só por isso o torna mais belo.
Mas o que me intriga mais é que já estou nesta casa há sete anos e só agora, precisamente agora, que me vou embora, é que apareceram os pintassilgos...